Metodologias ativas: o aluno como protagonista do aprendizado

Descubra como as metodologias ativas atuam para o aprendizado efetivo, confira exemplos e como implementá-las em suas aulas.

Metodologias ativas: o aluno como protagonista do aprendizado

Metodologia ativa de ensino é a abordagem na qual o aluno é colocado no centro do processo de ensino-aprendizagem, atuando como protagonista, e não mero espectador.

O aluno é o responsável pela busca de conhecimento de forma autônoma, contando com a ajuda do professor, que atua como mediador desse processo, sanando dúvidas pontuais e direcionando o caminho a ser seguido.

As metodologias ativas de ensino encontram cada vez mais adeptos, especialmente em razão das pesquisas que apresentam as suas inúmeras vantagens para o aprendizado, tal como o alcance do aprendizado efetivo, afastando-se da ideia de ensino mecânico e memorização.

A realidade mais ampla e concreta, porém, nos mostra um grande percentual de professores desconfiados e inseguros, gestores ansiosos, apreensivos quanto ao desempenho geral da instituição, e alunos incomodados ao serem impelidos a sair de sua zona de conforto.

Partindo da certeza de que no mundo atual não há lugar para a manutenção do modelo tradicional das aulas expositivas como único recurso em sala de aula, promover a mudança em direção a uma nova dinâmica exige convicção, preparo e engajamento.

Como diz aquela famosa frase atribuída a Buda, “toda grande caminhada começa com um simples passo”.

Buscar uma transformação, mudar paradigmas, rever práticas, abandonar crenças, adotar novas posturas, são processos custosos para o ser humano.

Sem dúvida, estamos falando de um enorme desafio. Mas que pode ser vencido, passo a passo, desde que mantenhamos o foco na direção certa.

Neste artigo você vai conferir o que é metodologia ativa de ensino, quais os benefícios e como aplicar nas suas aulas. Boa leitura!

O que é metodologia ativa de ensino?
Pirâmide de Aprendizagem de William Glasser
Metodologia ativa e tecnologia
Exemplos de metodologias ativas
1. Sala de aula invertida (flipped classroom)
2. Ensino Híbrido (blended learning)
3. Gamificação
4. Aprendizagem baseada em projetos (project based learning)
5. Aprendizagem entre times (team based learning)
Metodologias ativas: por onde começar
Metodologias ativas: o que não pode faltar

O que é metodologia ativa de ensino?

A metodologia ativa de ensino, muito mais do que uma metodologia, implica em uma mudança de mentalidade.

Nesta abordagem, afasta-se da ideia de que o professor ensina e o aluno aprende. O aluno deixa de ser mero receptor de informações, participando ativamente no processo de aquisição do conhecimento.

Dentro das abordagens mais tradicionais de ensino, o professor tem o papel de transmitir todo o conhecimento. Ele percorre sozinho todo o caminho entre o ponto A e o ponto B do conhecimento, enquanto o aluno observa e absorve.

Essa forma de ensinar faz com que todo o esforço intelectual de relação, esquematização e sistematização do conhecimento seja feito pelo professor, restando ao aluno o exercício de habilidades menos complexas, como memorização e identificação de conteúdos.

Já dentro de uma perspectiva de metodologia ativa de aprendizagem, há uma inversão dessa lógica. O papel do professor passa a ser de facilitador desse trajeto, entre o ponto A e o ponto B, que será percorrido pelo aluno.

O professor deve ter em mente os objetivos educacionais almejados e focar na criação de perguntas, tarefas e desafios que estimule o aluno a percorrer o caminho necessário à conquista dos objetivos.

Além disso, ao longo do caminho, o professor deve intervir pontualmente no esclarecimento de dúvidas e correções necessárias.

Um dos princípios da BNCC (Base Nacional Comum Curricular que deve guiar o currículo de toda a Educação Básica brasileira) é a promoção do aluno como protagonista de seu processo de ensino-aprendizagem.

Assim, as metodologias ativas de ensino se demonstram como alternativas ao alcance desse ideal.

A aprendizagem ativa permite ao aluno guiar seu próprio desenvolvimento educacional, o que vai perfeitamente ao encontro dos paradigmas da Educação 4.0 e com o aprendizado efetivo.

Um dos grandes precursores em defesa das metodologias ativas de ensino foi William Glasser, que desenvolveu a pirâmide de aprendizagem. Veja a seguir do que se trata essa pirâmide e qual sua relação com as metodologias ativas.

Pirâmide de Aprendizagem de William Glasser

William Glasser (1925-2013) foi um psiquiatra norte americano conhecido por diversos estudos a respeito de saúde mental, comportamento humano e educação.

A teoria da Pirâmide de Aprendizagem desenvolvida por ele, trouxe uma mudança no paradigma do ensino, ao estimular a participação ativa dos estudantes para a construção do conhecimento.

Segundo a teoria, o conhecimento é assimilado em proporções diferentes de acordo com a maneira com que você estuda. A leitura de um conteúdo, por exemplo, possibilita a retenção de uma porcentagem menor das informações do que explicar o assunto a alguém.

Assim, de acordo com os estudos de William Glasser, ao ser exposto a metodologias ativas de ensino, o aluno se desenvolve e aprende melhor.

Confira a Pirâmide de Aprendizagem de William Glasser:

Ilustração da pirâmide da Aprendizagem de Willian Glasser mostrando que metodologias ativas são mais eficientes.
Pirâmide da Aprendizagem de Willian Glasser.

Percebe-se que o método tradicional de absorção do conteúdo não é a melhor maneira de se aprender. Quando o aluno assume um lugar ativo em seu próprio processo de conhecimento, a aprendizagem é muito mais efetiva.

Aqui vale fazer uma ressalva. Quanto aos valores apontados na pirâmide, não foi localizado durante nossa pesquisa, artigo ou relatório que explicasse como Glasser teria chego a esses resultados.

Mais adiante citaremos alguns exemplos de metodologias ativas de ensino. Mas antes, vamos entender um pouco sobre como a tecnologia pode ser uma grande aliada para a realização do aprendizado ativo.

Metodologia ativa e tecnologia

A evolução da tecnologia transformou a sociedade como um todo. Especialmente no que se refere à educação, os avanços tecnológicos impuseram a necessidade de transformação da maneira de ensinar.

Se antes o professor era o único detentor do conhecimento e a ele cabia o papel de disseminar esse conhecimento, hoje a tecnologia digital, presente na vida de todas as pessoas, mudou essa realidade.

Os alunos têm acesso a toda e qualquer informação, bastando alguns cliques ou toques.

A tecnologia faz hoje a integração de todos os espaços e tempos. Em razão disso, o processo de ensino-aprendizagem acontece como uma simbiose constante entre o mundo físico e o digital.

Não existem mais dois mundos ou espaços, mas somente um único espaço de aprendizado estendido, que começa na sala de aula e continua no computador e celular de cada aluno.

Nesse cenário, as metodologias ativas de ensino, se apresentam como estratégias para potencializar as ações de ensino e aprendizagem. Afinal, elas têm se configurado como formas de convergência de diferentes modelos de aprendizagem, incluindo as tecnologias digitais.

Para promover as ações de ensino e de aprendizagem a partir de uma abordagem ativa, envolve-se um conjunto muito mais rico de estratégias e dimensões de aprendizagem, sendo a tecnologia uma grande aliada neste processo.

A tecnologia proporciona uma infinidade de recursos e possibilidades que enriquecem o processo de aprendizagem. Technology Enhanced Learning – TEL ou “aprendizagem aprimorada pela tecnologia” foi o termo escolhido para descrever a aplicação da tecnologia no processo de ensino.

É caracterizada pelo uso de qualquer tecnologia que aprimora a experiência de aprendizagem. A tecnologia vem transformando o processo de ensino e aprendizagem.

Aliada às metodologias ativas de aprendizagem, permite que os alunos aprendam em seu próprio ritmo e de acordo com suas habilidades e necessidades. Isso torna o aprendizado muito mais significativo e eficiente.

Além do mais, os instrutores também se beneficiam, pois ganham tempo e contam com ferramentas para trabalhar individualmente com cada aluno. A implementação de metodologias ativas de ensino é um processo árduo, porém muito enriquecedor. Sobre isso falaremos mais adiante.

Conheça agora alguns exemplos de metodologias ativas de ensino.

Exemplos de metodologias ativas

Para ilustrar tudo o que foi dito até agora, selecionamos alguns exemplos de metodologias ativas de ensino que podem ser aplicadas tanto em salas de aula, quanto por professores particulares.

Você vai perceber que todas elas têm a mesma intenção: colocar o aluno no centro do processo de ensino-aprendizagem, atuando como protagonista.

Ao tornar o aluno responsável pelo próprio aprendizado, ele assume uma postura ativa na busca pelo conhecimento e trilha esse caminho de forma autônoma, contando com o auxílio do professor em momentos cruciais.

Ilustração com 5 exemplos de Metodologias Ativas.
5 exemplos de Metodologias Ativas.

1. Sala de aula invertida (flipped classroom)

Essa metodologia ativa de ensino consiste em disponibilizar para os alunos o conteúdo da aula em momento anterior a ela.

Através da solicitação de uma pesquisa ou atividade, o professor solicita ao aluno que busque o conhecimento daquele conteúdo de forma autônoma em casa (ou outro ambiente), antes da aula.

Após as instruções dadas pelo educador e do estudo prévio realizado pelos alunos, eles devem levar o conteúdo aprendido à sala de aula, para debater com os demais colegas e sanar suas dúvidas com o professor.

Neste processo, o aluno atua de forma ativa no processo de aprendizagem ao buscar compreender por seus próprios meios o conteúdo, antes do professor fazer qualquer exposição sobre ele.

A sala de aula invertida, ou flipped classroom, pode ser considerada um apoio para trabalhar com as metodologias ativas, ao substituir aulas expositivas por extensões da sala de aula em outros ambientes, como em casa, no transporte, fazendo a integração do mundo real com o digital.

Essa metodologia ativa também é uma ótima e eficiente maneira de fazer com que os estudantes se interessem pelas aulas. Afinal, como adquiriram o conhecimento anteriormente, ou eles têm muito a compartilhar, ou muitas dúvidas a sanar.

A abordagem da sala de aula invertida mescla sala de aula e ambientes virtuais. Isso é fundamental para abrir a escola ao mundo e, ao mesmo tempo, trazer o mundo para dentro da escola.

2. Ensino Híbrido (blended learning)

Modalidade de ensino que combina a aula presencial com a educação a distância (EAD).

Trata-se de uma metodologia ativa de ensino, pois exige que o aluno tome ações no sentido de assistir a vídeos, pesquisar conteúdos, realizar atividades e assim por diante.

O ensino híbrido requer o suporte tecnológico, vez que parte das aulas ocorre de maneira online. Assim, o aluno precisa acessar conteúdos no celular ou computador.

Essa união do presencial com o online, faz com que os alunos sejam muito mais ativos em seu processo de ensino-aprendizagem. Eles precisam de disciplina e muita concentração para aprenderem via EAD.

Também, o uso da tecnologia como meio de aprendizagem, faz com que os alunos produzam conhecimento de maneira mais autônoma.

3. Gamificação

Essa metodologia ativa de ensino tem cativado o coração e despertado a atenção dos alunos. Ela tem o escopo de trazer jogos para a sala de aula, e assim fazer dos celulares e tablets aliados na aprendizagem dos conteúdos das aulas.

Já existem até sistemas e plataformas de ensino que se baseiam nesse conceito, como é o caso do material didático online da Flexge. A abordagem gamificada é muito eficiente para gerar o engajamento dos alunos no processo de aprendizagem, além de estimular um espírito de competitividade saudável.

Trata-se de uma estratégia que une alunos e professores no desenvolvimento do conhecimento em um mundo cheio de distrações tecnológicas.

Vale dizer que os jogos não precisam ser necessariamente tecnológicos. Podem ser de qualquer espécie, trazendo uma abordagem lúdica para dentro da sala de aula.

4. Aprendizagem baseada em projetos (project based learning)

A aprendizagem baseada em projetos, ou project based learning (PBL), faz com que os alunos aprendam através da resolução colaborativa de desafios.

Essa metodologia ativa de ensino exige que os alunos coloquem a mão na massa ao propor que eles investiguem como chegar à resolução do problema.

Exemplo dessa abordagem é o movimento maker. A ideia de “faça você mesmo”, propõe o resgate da aprendizagem mão na massa, trazendo o conceito “aprendendo a fazer, fazendo”.

Assim, ao explorar soluções dentro de um contexto específico de aprendizado, essa metodologia ativa de aprendizagem incentiva a habilidade de investigar, refletir, criar e solucionar problemas perante situações reais.

Nesse processo, o professor atua como mediador da aprendizagem. A ele cabe provocar e instigar os alunos na busca pela resolução do problema, ajudá-los no esclarecimento de dúvidas que venham a surgir e indicar materiais e conteúdos que podem ser úteis ao projeto.

5. Aprendizagem entre times (team based learning)

A metodologia ativa de aprendizagem entre times, ou team based learning (TBL), tem o objetivo de formar equipes dentro da turma, para que os alunos aprendam em conjunto, compartilhando ideias.

Nessa abordagem, os alunos são estimulados a trabalharem em equipe, realizando o intercâmbio de ideias e experiências pessoais no processo de aquisição de conhecimento.

A aprendizagem entre times pode acontecer por meio da realização de um estudo de caso ou projeto. Assim, eles aprendem uns com os outros, com discussões e reflexões internas, entre os membros do grupo, e também entre os grupos.

Até aqui você aprendeu o que são as metodologias ativas de ensino, conheceu seus benefícios e exemplos. Mas como aplicar essa nova forma de ensinar? É o que você vai descobrir a seguir!

Metodologias ativas: por onde começar

Muitos professores têm uma bagagem pautada em aulas expositivas. Do mesmo modo como foram formados, replicam o método junto a seus alunos.

Nas metodologias ativas de ensino, o aluno é o protagonista, está no centro do processo, e, com auxílio do professor mediador, desenvolve habilidades e competências.

Para trazer a inovação nesse sentido, é preciso primeiramente compreender o que significa metodologia ativa, quais são seus componentes, como essa metodologia traz vantagens para o aprendizado, para então verificar a melhor forma de implementar em suas aulas.

Uma vez compreendido, é necessário o desejo da transformação. Porque, como dissemos, é uma jornada trabalhosa e desafiadora. Sem uma equipe comprometida com a proposta, sua implantação é inviável.

Por isso, para que o processo inicie, primeiro é preciso que gestores e professores aceitem a premissa de que todo aluno é capaz de aprender e de contribuir com sua própria educação.

Também é essencial que o professor se aproxime mais de seus alunos, identificando suas características, para compreender qual é sua realidade de vida, história, entorno, expectativas. Sem conhecer sua clientela, o professor não terá qualidade no planejamento das atividades.

Para poder contribuir em seu engajamento, cada aluno deve ser percebido em sua individualidade. Diversas atividades podem ser realizadas para traçar os perfis: entrevistas, conversas com a família, preenchimento de questionário, atividades em grupo.

É importante que o aluno exponha sobre as atividades nas quais se envolveu em anos anteriores.

Nessas conversas, o aluno relata sobre participação em gincanas, seminários, atividades esportivas. Desse jeito, o professor consegue identificar talentos e habilidades, que podem ser trabalhadas com os alunos para promover ainda mais conquistas.

Uma vez coletados os dados, uma criteriosa análise, desprovida de preconceitos e julgamentos, vai poder orientar o professor na superação das dificuldades individuais e do grupo.

Outro ponto importante na construção de um novo modelo educativo, em que o aluno esteja no centro do processo, é a confiança que ele deposita no professor.

Desenvolver uma postura firme, mas acolhedora, fará com que esse professor ganhe pontos na participação de seus alunos nas atividades. Confiança, admiração, afeto, segurança, são sentimentos que criam a conexão, facilitando o alcance do propósito pedagógico.

Clareza nas proposições, respeito às diferenças, atenção para a identificação de dificuldades ou outras questões que interfiram na aprendizagem, são componentes indispensáveis para a implementação de metodologias ativas.

Somente com este entendimento o educador terá sucesso na caminhada para as novas práticas voltadas para o melhor desenvolvimento do aluno, com foco na personalização do ensino.

Metodologias ativas: o que não pode faltar

As metodologias ativas exigem uma postura de coragem e idealismo, um querer transformar. Trata-se de uma mudança de mentalidade no ensino, por parte do professor e no aprendizado, por parte do aluno.

O repasse de conteúdo somente através de aulas expositivas, com o professor em seu papel de transmissor do conhecimento e o aluno de receptor passivo, vai perpetuar a situação atual, em que as escolas ensinam para o passado, sem prepará-los para o futuro.

Um cenário em que a multidisciplinaridade, a habilidade de resolver problemas, de ser maleável e ter facilidade de adaptação, são e serão os diferenciais mais exigidos na área profissional e na vida em sociedade.

Assim, é preciso preparar os alunos para que saibam aprender por conta própria. Instruí-los no sentido de se tornarem autônomos na busca pelo conhecimento, despertando a curiosidade destes pelo aprendizado.

A organização do espaço onde se dá o processo ensino-aprendizagem também requer uma importante transformação para que uma metodologia ativa de aprendizagem funcione da maneira devida.

Os alunos enfileirados assistindo ao professor palestrante posicionado à sua frente deve mudar para a organização em mesas redondas onde os grupos estarão desenvolvendo habilidades.

O professor precisa passar por essa metamorfose, compreendendo que seu novo papel é o de mediar as discussões, orientar as pesquisas e projetos, validar ideias.

Não se trata de abdicar radicalmente das aulas expositivas, já que há conteúdos em que o repasse de informações nesse modelo é válido. Mas sim, de acrescentar o novo modelo da metodologia ativa, contemplando a conexão digital dos jovens e seus respectivos interesses.

O aluno, desempenhando o papel central do processo de aprendizagem, se tornará mais crítico, responsável, criativo, colaborador, ativo, autônomo e feliz.

É por isso que a solução da Flexge para o ensino de inglês, apoiada no ensino híbrido e em metodologias ativas, tem o aluno como protagonista do processo, promovendo seu engajamento para o progresso na conquista da fluência no idioma.

Já conhece o material didático online de inglês da Flexge? Acesse o nosso site e confira como as metodologias ativas podem fazer a diferença no ensino!

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