Escola bilíngue: uma tendência que veio para ficar

Descubra o quanto e por que a demanda pela educação bilíngue está aumentando cada dia mais no Brasil.

Escola bilíngue: uma tendência que veio para ficar

Dados demonstram um crescimento na procura por escolas bilíngues no país e no mundo.

Tal fenômeno decorre da incontestável demanda, especialmente em relação à língua inglesa, no mundo globalizado, tanto na vida pessoal, quanto na acadêmica e profissional.

Falar inglês traz inúmeras vantagens e os pais antenados à necessidade de preparar as crianças para um mundo cada vez mais competitivo, procuram por escolas em que o ensino de inglês faça parte da formação regular.

Mas será que essa busca por escola bilíngue é uma tendência que veio para ficar?

É o que você vai descobrir neste artigo! Entenda como está a demanda por educação bilíngue e quais as perspectivas para o futuro dessa modalidade de ensino.

Educação bilíngue no Brasil
A base legal do ensino de inglês no Brasil
Escola bilíngue: uma tendência

Educação bilíngue no Brasil

Em 2020 a EF - Education First, empresa de educação internacional especializada em intercâmbio, realizou uma ampla pesquisa sobre proficiência em inglês no mundo.

Essa pesquisa envolveu ao todo 100 países, classificando-os tanto globalmente, quanto por continente/região.

O Brasil teve um resultado baixo de seu EPI (Índice de Proficiência em Inglês), ficando em 53° lugar globalmente e, na América Latina, em 10° lugar. Os três melhores países da pesquisa foram Holanda, Dinamarca e Finlândia.

Ser proficiente em inglês permite ao estudante brasileiro, entre outras vantagens, se inserir em cursos nesses países, mesmo sem dominar o idioma nacional. Na Suécia, onde foi criado o Skype, por exemplo, há empresas que estabelecem o inglês como idioma oficial dos negócios.

Se esses aspectos são tão claros e verdadeiros, por que será que no Brasil menos de 5% da população fala uma segunda língua?

Especificamente sobre o inglês, pesquisas apontam que menos de 3% tem fluência no idioma (algumas pesquisas afirmam que esse quantitativo não chega a 1%).

Diversos estudos convergem para a conclusão já levantada pelo British Council: o nível de conhecimento do idioma inglês é decorrência direta das oportunidades educacionais a que os brasileiros têm acesso.

Ao longo do tempo, diversas normas foram sendo criadas no esforço por garantir uma educação que atenda às necessidades de formação do cidadão atual, como a Lei de Diretrizes e Bases, Parâmetros Curriculares Nacionais, Base Nacional Comum Curricular (BNCC), entre outras.

As duas Leis de Diretrizes e Bases, LDBs, publicadas nos anos 1961 e 1971, ignoraram a importância das línguas estrangeiras ao deixar de incluí-las entre as disciplinas obrigatórias.

Com a publicação da Lei nº 5.692/71, que define o núcleo comum para os currículos do primeiro e segundo graus, em termos de Comunicação e Expressão, somente a Língua Portuguesa foi tornada disciplina obrigatória.

Na mesma lei é abordada a possibilidade de ensino de uma língua estrangeira moderna, mas apenas como recomendação e atrelado à capacidade do estabelecimento em ministrá-la.

Era evidente a baixa importância dada à matéria, pelos gestores e legisladores à época, repetindo o feito da LDB.

Alguns anos mais tarde, através da Resolução nº 58/76, é resgatada a importância da língua estrangeira, tornando seu ensino obrigatório, mas somente para o segundo grau. No primeiro grau permanece apenas como recomendação e desde que tenha condições.

Continuava existindo uma ameaça à democracia educacional, com o aprofundamento do fosso entre a educação das elites, com acesso a centros de idiomas ou aulas particulares, e a das classes populares, absolutamente à margem dessa possibilidade.

Foi a partir daquela época que houve uma verdadeira explosão de cursos particulares de inglês e a expansão do senso comum de que não se aprende língua estrangeira nas escolas regulares.

Demorou vinte anos para que, em 1996, no I Encontro Nacional de Política de Línguas (I ENPLE) fosse divulgada a Carta de Florianópolis, que propunha um plano emergencial.

Nele foi enfatizado que todo brasileiro tem direito à plena cidadania, a qual, no mundo globalizado e poliglota de hoje, inclui a aprendizagem de línguas estrangeiras.

Defende a carta, ainda, que o ensino de língua estrangeira faça parte da formação integral do aluno, e não somente visando objetivos instrumentais pela priorização da leitura.

Naquele mesmo ano, em dezembro de 1996, a nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases), foi promulgada, tornando o ensino de língua estrangeira obrigatório a partir da 5ª série do Ensino Fundamental.

No ensino médio, além da obrigatoriedade de uma língua, pode ser incluída uma segunda, de modo opcional, novamente dentro das possibilidades de cada instituição.

Apesar da aparente melhora na importância do ensino da língua estrangeira, nos Parâmetros Curriculares publicados pelo MEC em 1998, o enfoque permaneceu restrito à leitura.

Isso porque a leitura é considerada suficiente para as necessidades da maioria da população e a única habilidade passível de ser ensinada dentro da realidade da escola brasileira.

Ou seja, no lugar de haver propostas para melhoria das condições, o governo as aceitou, tirando dos jovens do país a possibilidade de conquistarem sua cidadania, do ponto de vista da globalização.

Basta observar como o mercado de trabalho demanda profissionais que falem inglês (ou alguém viu um classificado procurando trabalhadores que LEIAM inglês?) para derrubar este equivocado direcionamento das políticas educacionais.

Por mais contraditório que seja, os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) para o ensino médio advogam a favor de uma política de ensino da língua estrangeira que tenha por meta a comunicação oral e escrita, preparando o cidadão para o mundo moderno.

Escola bilíngue: uma tendência

Somente no ano de 2017, quando ocorreu a Reforma do Ensino Médio (Lei n° 13.415) o ensino de inglês se tornou obrigatório a partir do 6° ano do Ensino Fundamental II, ao lado de Português e Matemática.

A ampla divulgação que a internet oferece, vem levando para o conhecimento popular o que os especialistas garantem, em termos de melhor aprendizado de uma língua estrangeira: estudar um segundo idioma ainda na infância só traz benefícios, especialmente durante a alfabetização.

Assim, a procura crescente por escolas bilíngues é um fato que o mercado vem observando e acolhendo, também de forma crescente.

A Associação Brasileira de Ensino Bilíngue (ABEBI) aponta um aumento entre 6 e 10% no segmento de escolas bilíngues no país nos últimos cinco anos, no setor privado.

Das aproximadamente 40 mil escolas existentes, 3% possuem algum programa de educação bilíngue, totalizando 1,2 mil escolas.

Que a educação é um direito social, essencial para a dignidade da pessoa, consagrado na Constituição Federal, todos sabem. Viver dignamente, como cidadão que usufrui de seus direitos, inclui o acesso a uma educação integral e, nesse sentido, dominar a língua inglesa é um dos direitos que devem ser garantidos às nossas crianças e jovens.

Logo, a escola bilíngue é uma tendência que veio para ficar!

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