O ensino do Inglês no Brasil e o problema das escolas públicas

Entenda por que os brasileiros estudam inglês por tantos anos e não aprendem a língua.

O ensino do Inglês no Brasil e o problema das escolas públicas

O ensino de inglês no Brasil enfrenta sérios problemas.

Pesquisas apontam o despreparo dos professores da rede pública, a falta de material didático adequado e a pouca atenção conferida ao ensino do idioma pelos gestores educacionais como algumas das possíveis causas da ineficiência no ensino da língua inglesa.

Sabendo-se da importância que aprender a falar inglês tem nos dias atuais, essa situação merece ser discutida, a fim de buscar-se soluções eficientes.

Neste artigo você vai conferir dados sobre o ensino de inglês nas escolas públicas brasileiras e entender por que essa questão precisa ser discutida e solucionada o quanto antes.

Ensino de inglês no Brasil: um desafio a ser superado
Ensino de inglês nas escolas públicas brasileiras
Ensino de inglês no Brasil em números

Ensino de inglês no Brasil: um desafio a ser superado

A imensa maioria dos brasileiros passou pela escola pública e estudou inglês durante anos.

Porém, ao autodeclarar o seu conhecimento no idioma, aproximadamente 70% deles afirmam que têm inglês básico ou zero conhecimento na língua.

Menos de 5% dos brasileiros falam inglês em algum nível e não chega a 1% as pessoas que se autodeclaram fluentes no idioma.

Com esta declaração, Nina Coutinho inicia sua fala durante a entrevista no Programa Desafios da Educação, na Univesp TV.

Ela é professora e Diretora de Língua Inglesa do British Council, órgão oficial do Reino Unido para integração cultural e educacional, presente no Brasil há mais de 70 anos e, no mundo, há mais de 80.

De tão comum que é esse quadro (afinal, quem não passou por isso ou tem filhos vivendo essa situação?), é quase aceito como algo normal, uma realidade posta. Naturalizou-se o insucesso no ensino do inglês por aqui.

No entanto, o crescente reconhecimento a nível mundial da importância que a língua inglesa tem e a profunda lacuna que existe no ensino de inglês no Brasil, faz com que professores, gestores, governantes e pesquisadores se atentem ao tema, a fim de realizar um diagnóstico detalhado e poder elaborar proposições.

Ensino de inglês nas escolas públicas brasileiras

Poucas iniciativas se comparam à pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Plano CDE com exclusividade para o British Council, no ano de 2015.

O objetivo desse estudo foi o de compreender as principais características do inglês no ensino fundamental na rede pública brasileira.

A pesquisa analisou desde as políticas públicas até as práticas cotidianas, em  busca de respostas para a pergunta:

Por que, com tantos anos de estudo, sendo a escola universalizada, as pessoas saem dos anos escolares sem ter domínio do idioma?

A pesquisa foi liderada pelo Plano CDE, uma empresa de pesquisa e avaliação de impacto especializada nas famílias das classes CDE no Brasil, formada por equipe multidisciplinar de antropólogos, economistas e sociólogos.

Maurício Prado, seu diretor, explica que foram a campo para investigar, desprovidos de teorias pré-formadas, em cinco grandes etapas:

  1. levantamento de toda a legislação que rege a matéria (desde a Constituição até as responsabilidades de cada esfera de governo);
  2. levantamento do perfil dos professores (com base no Censo Escolar 2013);
  3. entrevistas e dinâmicas com gestores, professores e coordenadores;
  4. 20 observações etnográficas (in loco) abrangendo as 5 regiões do país, mediante grupos de discussão; e, por último,
  5. uma etapa quantitativa sobre as percepções dos professores a respeito do ensino de inglês na rede pública, por meio de entrevista feita a 1.269 professores.

Entre todos os aspectos levantados durante esse estudo, selecionamos alguns para refletirmos a respeito.

Ensino de inglês no Brasil em números

Os professores não sentem segurança para lecionar inglês no Brasil e justificam essa situação à falta de oportunidade de praticar a língua; à falta de apoio para planejar as aulas (normalmente os coordenadores não falam Inglês); e à carência de programas de formação continuada.

Eles percebem que a língua estrangeira é a primeira aula a ser cortada quando há necessidade de realizar alguma atividade extra (ensaios de algum evento, por exemplo), demonstrando a pouca relevância que essa disciplina tem na concepção da instituição.

Reconhecem a importância e necessidade de contar com materiais didáticos e recursos tecnológicos, para estimular o envolvimento na língua. No entanto, somente 24% dos professores têm acesso à internet, o que evidencia o distanciamento do que a legislação prevê e a realidade.

Sem acesso universal à tecnologia, o professor conta com o mais tradicional material didático: o livro. Mas ainda assim, segundo o estudo, somente 44% dos professores têm acesso a ele.

Desde o ano 2011, foi introduzido o inglês no PNLD - Plano Nacional do Livro Didático. No entanto, a principal queixa dos professores se refere ao nível do conteúdo, sendo muito elevado para a clientela escolar que recebem.

Conforme a BNCC - Base Nacional Comum Curricular, o inglês é obrigatório no currículo escolar a partir do sexto ano.

Todavia, os alunos chegam sem nunca ter tido inglês antes, e é aí que a realidade do professor se torna complicada.

Além de terem turmas muito grandes, geralmente em torno de quarenta alunos, ou mais, elas são extremamente heterogêneas.

Em uma disciplina que é voltada para a comunicação verbal, diferentemente das outras disciplinas, o professor enfrenta o dilema de qual nível de conteúdo ensinar.

Se optar pelo nível mais básico, não conseguirá captar a atenção daqueles alunos que já detém algum conhecimento.

Se, inversamente, decidir ensinar conteúdo mais elevado, estará “abandonando” os alunos que chegam sem conhecimento nenhum.

Diante disso, uma discussão bastante controversa surge, havendo quem advogue pela segregação dos alunos em turmas conforme nível de conhecimento de inglês.

Durante o estudo do Plano CDE, identificou-se que 76% dos professores são favoráveis a essa proposta.

O estudo em pauta também apontou que os professores de inglês têm alta escolaridade: 87% deles possuem nível superior.

Porém, a maioria não possui formação superior específica na língua inglesa (somente 39% a possuem). Esse pode ser o fator que dificulta sua prática.

Afinal, sem a formação específica, o professor não aprende a metodologia para o ensino do idioma e acaba entrando em sala de aula despreparado e inexperiente.

Em muitos casos, professores de outras áreas lecionam inglês por falta de professores especializados. Resultado: 69% dos professores de inglês assumem ter muita dificuldade em lecionar sua disciplina.

Professores sem domínio da língua, não falantes, ministrando suas aulas em português, para turmas numerosas e heterogêneas, faltando material didático adequado para que promova o engajamento.

É necessário e urgente reconhecer esses problemas e tratá-los.

Se pensarmos que 85% das crianças e jovens do país contam com a escola pública para seu aprendizado, o grande desafio é fazer com que eles tenham igualdade de oportunidades para o acesso à cultura e ao mercado de trabalho.

Fornecer uma formação integral ao aluno, no mundo globalizado, inclui, sem sombra de dúvida, o aprendizado da língua inglesa. Não apenas conhecimento sobre gramática e vocabulário, mas sim, a possibilidade do uso da língua para a comunicação.

Descubra como as metodologias ativas podem ajudar a superar os desafios no ensino de inglês no Brasil!

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